A escalada de críticas de aliados do governo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a preocupar lideranças do PT e integrantes do Palácio do Planalto. O clima de tensão aumentou após declarações do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), que afirmou que Alcolumbre poderia ser considerado um “inimigo” caso continuasse sem dar andamento à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala de trabalho 6×1.
Nos bastidores, a fala foi considerada inadequada por integrantes do governo e do próprio partido, que fizeram questão de destacar que a declaração não representa oficialmente a posição da bancada petista nem da base governista no Congresso Nacional.
Ministros do governo também avaliam que o aumento do tom nas críticas dificulta a retomada do diálogo com o presidente do Senado. A preocupação é que o desgaste político comprometa as negociações para o avanço de pautas consideradas prioritárias pelo Executivo.
A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre já vinha enfrentando momentos de distanciamento desde a indicação frustrada de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, interlocutores apontam que houve redução nas conversas entre os dois líderes, o que tem refletido no andamento de projetos de interesse do governo.
Entre as propostas afetadas está a PEC sobre a escala 6×1, aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e considerada uma das principais prioridades da atual gestão. No Senado, entretanto, o texto permanece sem encaminhamento para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa necessária antes da votação em plenário.
O episódio evidencia as dificuldades enfrentadas pelo governo para manter a articulação política no Congresso e garantir o avanço de sua agenda legislativa, em um momento de crescente tensão entre integrantes da base aliada e o comando do Senado.
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