A acusação feita por João Campos (PSB) contra a governadora Raquel Lyra (PSD) durante debate eleitoral ganhou um novo capítulo após a divulgação de informações envolvendo Renata Campos, mãe do candidato.
João questionou os valores recebidos por Raquel como procuradora do Estado e levantou suspeitas sobre pagamentos acima do teto constitucional. Entretanto, segundo levantamento publicado pelo jornalista Ricardo Antunes, Renata Campos, auditora de controle externo do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), recebeu valores superiores aos registrados pela governadora.
De acordo com os dados apresentados por Ricardo Antunes, Renata recebeu em agosto R$ 62.508,32 brutos, enquanto Raquel registrou R$ 60.931,44 no mesmo mês. A publicação informa ainda que houve R$ 6.531,01 de “abate-teto” na remuneração de Renata, além de outros descontos.
O jornalista também aponta que Renata teria recebido aproximadamente R$ 2,4 milhões no período analisado, montante superior ao atribuído à governadora.
Com a divulgação, a ofensiva de João acabou abrindo espaço para uma cobrança política contra o próprio candidato: se ele questiona os valores recebidos por Raquel, qual critério adotará diante da remuneração de sua própria mãe?
É importante destacar que uma remuneração bruta acima do teto não significa, por si só, que houve irregularidade ou que o teto constitucional foi efetivamente ultrapassado, uma vez que existem regras específicas para determinadas verbas e o próprio levantamento registra a aplicação de “abate-teto” no caso de Renata Campos.
Politicamente, porém, o episódio colocou a acusação de João sob uma nova perspectiva e abriu um debate sobre a coerência do discurso utilizado contra Raquel.
Agora fica a pergunta: depois de cobrar Raquel, João Campos fará a mesma cobrança diante dos números envolvendo sua própria mãe divulgados pelo jornalista Ricardo Antunes?
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