O debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco ganhou um dos momentos mais tensos quando João Campos (PSB) tentou associar a governadora Raquel Lyra (PSD) ao termo “fura-teto”. O socialista questionou valores recebidos pela adversária e alegou que parte da remuneração teria ultrapassado o teto constitucional.
A acusação foi contestada por Raquel. A governadora destacou que é procuradora do Estado de Pernambuco, cargo efetivo conquistado por concurso público, e que sua remuneração está relacionada à carreira jurídica. Sua campanha sustenta que os pagamentos seguem a legislação e nega irregularidade ou acúmulo indevido de salários.
Raquel aproveitou a provocação para responder diretamente a João Campos e recordar sua trajetória no serviço público. Durante o debate, ressaltou que ingressou na carreira por mérito e concurso público, disparando: “Passei em concurso público, sem furar fila.”
A resposta levou novamente ao centro da campanha a polêmica do chamado “fura-fila”, expressão usada por adversários para se referir ao episódio envolvendo concurso para procurador judicial durante a administração de João Campos no Recife.
Politicamente, a ofensiva de João pode ser interpretada como uma tentativa de criar um novo desgaste contra Raquel nesta reta da campanha. Chamar o movimento de “desespero” é uma avaliação política, mas o aumento do tom contra a governadora ocorre em um momento em que pesquisas recentes têm colocado João atrás da adversária.
O contraste explorado por Raquel também ganhou força: enquanto João questionava sua remuneração, a governadora lembrava que o cargo de procuradora que ocupa foi conquistado por meio de concurso público, antes de sua chegada ao Governo do Estado.
A discussão agora deve continuar fora dos estúdios. De um lado, João Campos tenta consolidar o rótulo de “fura-teto”. Do outro, Raquel transforma a acusação em discurso de mérito e legalidade e devolve ao adversário uma expressão que já vinha causando desgaste em sua campanha: “fura-fila”.
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