A Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 33 milhões feito pelo Banco Master ao escritório de advocacia Alves Corrêa, ligado à advogada Dalide Corrêa, que já ocupou cargo de direção no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O valor aparece em documentos de uma auditoria realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre contratos e despesas do Banco Master. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (18), os investigadores também encontraram diálogos entre executivos do banco nos quais o escritório de Dalide era apresentado como um suposto “canal direto com o STF”.
De acordo com a apuração, os pagamentos feitos à banca estariam relacionados, nas conversas internas, à possibilidade de interlocução com integrantes da Corte. Até o momento, porém, os investigadores não identificaram nas mensagens nomes específicos de ministros do Supremo relacionados a essa suposta interlocução.
O montante de R$ 33 milhões está entre os maiores gastos jurídicos registrados pelo Banco Master em 2024. Naquele ano, segundo os documentos analisados pela PF, a instituição teria desembolsado cerca de R$ 215 milhões em despesas com advogados, valor significativamente superior aos R$ 76 milhões registrados no ano anterior.
Outro escritório citado nos documentos é o Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a auditoria, a banca recebeu aproximadamente R$ 40 milhões do Banco Master em 2024.
Relação com o IDP
A relação profissional entre Dalide Corrêa e Gilmar Mendes é antiga. A advogada trabalhou no setor jurídico da Caixa Econômica Federal durante o período em que Mendes ocupava o cargo de advogado-geral da União, entre 2000 e 2002.
Posteriormente, Dalide assumiu uma posição de direção no IDP, instituição fundada por Gilmar Mendes, onde permaneceu até 2017.
A ligação entre a advogada e o Banco Master passou a chamar a atenção dos investigadores diante do volume dos pagamentos e das mensagens encontradas durante a apuração do caso.
Advogada nega atuação no STF pelo Master
Dalide Corrêa negou que tenha atuado para o Banco Master no Supremo Tribunal Federal. Em manifestação divulgada à imprensa, ela afirmou que seu escritório não procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relacionados ao banco.
Segundo a advogada, os serviços mencionados nos documentos estavam relacionados a processos que originalmente envolviam empresas que venderam créditos ao Banco Master e que posteriormente foram sucedidas pela instituição.
Ela afirmou ainda que sua atuação nesses processos ocorreu exclusivamente em primeira e segunda instâncias, sem atuação em causas do banco no STF.
A assessoria do ministro Gilmar Mendes não se manifestou sobre o caso até a publicação das informações.
As informações fazem parte das investigações que apuram a atuação do Banco Master e suas relações com diferentes agentes públicos e privados. A existência dos pagamentos e das mensagens, por si só, não comprova irregularidade ou influência indevida sobre ministros do STF; esses pontos ainda são objeto de investigação.
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