O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não buscar, neste momento, diálogo direto com a gestão do presidente norte-americano Donald Trump após os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. A orientação inicial do Palácio do Planalto é analisar cuidadosamente os impactos da medida antes de qualquer tentativa de aproximação diplomática.
De acordo com integrantes do governo, o Itamaraty e outros ministérios estão avaliando possíveis consequências econômicas e financeiras para o Brasil. A preocupação central é entender se a decisão americana poderá afetar instituições financeiras brasileiras ou gerar sanções indiretas ao país.
Diplomatas ouvidos pela coluna Igor Gadelha apontam que situações semelhantes ocorreram em outros países. No México, por exemplo, instituições financeiras foram alvo de restrições após serem associadas a operações ligadas a grupos classificados como terroristas pelos Estados Unidos.
Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que o foco neste momento é preservar os interesses nacionais, especialmente empregos e estabilidade econômica. A avaliação é de que qualquer reação precipitada pode trazer insegurança para setores estratégicos do país.
Outro ponto que pesou na decisão foi a insatisfação do Planalto com a forma como a medida teria sido anunciada pelos Estados Unidos, sem uma comunicação prévia ao governo brasileiro. Auxiliares de Lula lembram ainda que o presidente esteve recentemente na Casa Branca defendendo cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Por enquanto, a reação do governo brasileiro deve permanecer restrita às manifestações oficiais já divulgadas pelo Planalto e às declarações públicas do presidente Lula. A expectativa é que o tema possa voltar à pauta em um possível encontro entre Lula e Trump durante a próxima cúpula do G7, marcada para junho, na França.
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