quarta-feira , 10 junho 2026
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Atraso na LOA gera prejuízo milionário para produtores de cana em Pernambuco

O atraso na aprovação do remanejamento de 20% da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 já começa a provocar impactos significativos no setor sucroalcooleiro de Pernambuco. Produtores independentes estimam perdas que podem chegar a quase R$ 70 milhões na safra 2026/2027, principalmente devido à queda de produtividade causada pela falta de fertilizantes no período ideal.

De acordo com a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, o pedido emergencial para liberação de cerca de 36 mil toneladas de adubo foi feito ainda em dezembro de 2025 à governadora Raquel Lyra. No entanto, o impasse na LOA impediu a compra e distribuição no tempo adequado.

Especialistas explicam que a adubação é essencial nos primeiros três a quatro meses após o corte ou plantio da cana, período que coincide com o início das chuvas em Pernambuco, entre março e abril. Sem a aplicação nesse intervalo, as perdas podem variar entre 8% e 15% por hectare.

“Esse adubo já deveria ter sido aplicado. As áreas que não foram adubadas podem ter prejuízo em torno de 10% da produção”, alertam representantes do setor.

A AFCP e o Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-Açúcar no Estado de Pernambuco representam cerca de 10 mil produtores independentes, o que corresponde a 92% dos fornecedores do estado. Juntos, eles respondem por uma área entre 60 mil e 65 mil hectares na Zona da Mata.

Segundo estimativas, uma perda de 10% nessa área equivale à redução de aproximadamente 425 mil toneladas de cana. Considerando o preço médio atual, baseado no ATR, em torno de R$ 165 por tonelada, o impacto financeiro pode atingir quase R$ 70 milhões.

A pressão política para destravar o orçamento ganhou força na última semana, quando cerca de 40 prefeitos ligados à Associação Municipalista de Pernambuco se reuniram com o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto. O texto foi aprovado por unanimidade, encerrando um impasse que durava mais de 115 dias.

Apesar da aprovação, o setor alerta que parte do prejuízo já é irreversível, já que o atraso comprometeu o calendário agrícola e a produtividade da safra em formação.

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