Os recentes ataques de tubarão registrados no Grande Recife reacenderam o alerta sobre a presença de espécies consideradas entre as mais perigosas do planeta. Segundo dados do International Shark Attack File (ISAF), principal banco mundial de registros de incidentes envolvendo tubarões, o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata estão entre os três animais marinhos com maior número de ataques não provocados contra seres humanos.
Os casos ganharam grande repercussão em Pernambuco após dois ataques ocorridos em sequência. Na segunda-feira (1º), a universitária Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi atacada por um tubarão-tigre na Praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Um dia antes, um menino de 11 anos sofreu um ataque de tubarão-cabeça-chata na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. As duas vítimas tiveram amputação de uma perna e permanecem internadas.
De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), a identificação das espécies foi realizada a partir das marcas deixadas pelas mordidas.
No ranking internacional do ISAF, o tubarão-branco lidera a lista das espécies com maior número de ataques registrados contra humanos. Em seguida aparecem o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata, também conhecido mundialmente como “bull shark”.
Especialistas destacam que o tubarão-cabeça-chata possui capacidade de circular em ambientes de baixa salinidade, como estuários e desembocaduras de rios, o que amplia sua área de ocorrência próxima ao litoral urbano.
Segundo o Cemit, o ataque registrado nesta semana foi o 84º incidente monitorado em Pernambuco desde 1992. Desse total, 70 aconteceram no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha. O caso envolvendo Marcela foi o 25º registrado apenas na Praia de Boa Viagem.
Apesar da preocupação gerada pelos episódios recentes, especialistas reforçam que ataques de tubarão continuam sendo considerados raros quando comparados ao número de pessoas que frequentam diariamente as praias pernambucanas.
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