A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (23), a Operação Moral Hazard para apurar suspeitas de irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de servidores municipais de Santo Antônio de Posse, no interior paulista. O foco da investigação é a aplicação de cerca de R$ 13 milhões em ativos financeiros considerados de risco.
De acordo com as apurações, os valores teriam sido investidos em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. A Polícia Federal aponta que as aplicações foram realizadas sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que pode ter exposto os recursos públicos a prejuízos significativos.
As investigações indicam ainda que os investimentos tinham prazos longos, com vencimentos previstos para 2033 e 2034. Um dos pontos críticos é que o Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, o que reforça as suspeitas sobre a segurança das operações.
Na ação, agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim. Além disso, foram determinadas medidas cautelares, como o afastamento de servidores públicos de suas funções por 180 dias e a indisponibilidade de bens, por decisão da 9ª Vara Federal de Campinas.
Entre os alvos da operação estão o ex-diretor-presidente do instituto de previdência municipal, Hortêncio Lala Neto, a ex-supervisora de gestão Marlene Maria Vieira Bassani e integrantes do comitê de investimentos da autarquia. Eles são investigados por possível gestão temerária e outras irregularidades ligadas à administração de recursos públicos.
A operação também tem conexão com a chamada Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo a criação de créditos fraudulentos.
Procurados, os investigados ainda não se manifestaram oficialmente. O espaço segue aberto para posicionamentos.
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