Uma mulher foi flagrada circulando com uma criança em um patinete elétrico nas ruas do bairro de Santo Amaro, área central do Recife, na tarde da última segunda-feira (27). O caso chama atenção por contrariar as normas estabelecidas para o uso desse tipo de equipamento na capital pernambucana.
De acordo com as regras em vigor, os patinetes elétricos só podem ser utilizados por maiores de 18 anos, com cadastro ativo no aplicativo das operadoras, e de forma individual — ou seja, é proibido transportar passageiros.
Riscos e irregularidades
Especialistas alertam que o uso inadequado dos patinetes pode provocar acidentes graves, tanto para quem conduz quanto para pedestres. Entre os principais riscos estão quedas, fraturas e até atropelamentos, especialmente quando há descumprimento das normas de circulação.
Um exemplo recente é o do hoteleiro Thiago Machado, de 39 anos, que sofreu uma fratura no braço após ser atingido por um patinete que trafegava na contramão, na Avenida Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem.
Crescimento do uso e preocupações
Atualmente, duas empresas operam o serviço de patinetes na Região Metropolitana do Recife, somando cerca de 900 equipamentos em circulação. Em poucas semanas, o número de viagens já ultrapassou 50 mil.
A empresa Whoosh, por exemplo, conta com 300 patinetes distribuídos em áreas previamente definidas em parceria com o poder público e registrou mais de 20 mil viagens em apenas um mês. Já a JET opera com cerca de 600 equipamentos e contabilizou, em 20 dias, mais de 31 mil viagens realizadas por quase 6 mil usuários únicos.
Apesar da popularização do serviço, mais de 100 usuários já tiveram o acesso bloqueado por uso indevido dos equipamentos.
Pressão por medidas mais rígidas
Diante do aumento de ocorrências, o vereador Paulo Muniz protocolou uma ação popular solicitando a suspensão temporária do serviço na cidade, alegando riscos à segurança da população.
Além disso, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) iniciou o monitoramento de acidentes envolvendo patinetes elétricos. Ao todo, 18 hospitais da rede estadual passaram a registrar atendimentos relacionados a esse tipo de ocorrência, como parte de uma estratégia para mapear os impactos do serviço.
O episódio envolvendo a mulher e a criança reforça o debate sobre a necessidade de fiscalização mais rigorosa e campanhas educativas para garantir o uso seguro dos patinetes na capital.
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