O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados que pretende voltar a indicar Jorge Messiaspara uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mas ainda estuda o momento político mais adequado para a nova tentativa. A primeira indicação foi rejeitada pelo Senado, em um placar de 42 votos a 34.
Segundo interlocutores do Planalto, a estratégia agora passa por escolher um “timing” mais favorável. Uma das possibilidades em análise é adiar a reapresentação do nome de Messias para depois das eleições de outubro, quando o governo avalia que poderá ter maior margem de articulação política.
A aposta de aliados é que, com eventual fortalecimento político, Lula consiga negociar melhor com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reduzindo resistências à indicação. Outra alternativa considerada é indicar um nome diferente para a vaga atualmente aberta no STF e deixar Messias para uma futura oportunidade.
Nos bastidores, o governo atribui a derrota no Senado a um acordo político envolvendo Alcolumbre, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Esse entendimento também estaria relacionado à derrubada de vetos presidenciais ao projeto de lei da dosimetria, que trata das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Apesar do desconforto, Lula tem indicado que não pretende promover retaliações públicas contra Alcolumbre, como a exoneração de aliados do senador em cargos no governo. A orientação, por ora, é manter o diálogo e reavaliar o cenário com cautela.
Internamente, o presidente também discute o futuro de Jorge Messias na Esplanada. Uma das hipóteses é transferi-lo da Advocacia-Geral da União para o Ministério da Justiça, o que implicaria mudanças na atual estrutura da pasta, hoje comandada por Wellington César Lima e Silva.
A decisão final, segundo auxiliares, dependerá da evolução do ambiente político nas próximas semanas e da capacidade do governo de reconstruir apoio no Senado para evitar uma nova derrota.
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