Um estudo desenvolvido por uma instituição inglesa em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) apontou que jovens brasileiros com visões mais conservadoras demonstram maior interesse em seguir carreiras nas Forças Armadas e na Polícia Militar. O levantamento, intitulado “Becoming or getting by” (“Tornar-se ou sobreviver”), foi conduzido pelo King’s College London em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Sciences Po.
De acordo com a pesquisa, o interesse pelas carreiras militares cresceu significativamente entre os anos de 2021 e 2025, impulsionado principalmente pela busca por estabilidade financeira, pelos impactos econômicos causados pela pandemia da Covid-19 e pelo fortalecimento de pautas conservadoras entre parte da juventude brasileira.
Os pesquisadores também identificaram uma relação entre jovens evangélicos e a preferência pela Polícia Militar. Segundo o levantamento, participantes ligados a religiões evangélicas demonstraram maior tendência a considerar a carreira policial militar quando comparados a pessoas sem religião.
O estudo ainda aponta que o cenário político dos últimos anos pode ter influenciado esse comportamento. Os autores destacam que, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, as Forças Armadas ganharam maior visibilidade pública e passaram a ser associadas por parte da população a valores como ordem, estabilidade e autoridade moral.
A pesquisa ouviu 2.032 jovens brasileiros entre 18 e 26 anos no mês de novembro de 2025. Os entrevistados eram de todas as regiões do país e não possuíam vínculo com as Forças Armadas nem com instituições policiais militares.
Os resultados foram comparados aos dados obtidos em 2021, utilizando metodologia semelhante, o que permitiu aos pesquisadores observar mudanças no comportamento da juventude brasileira diante do mercado de trabalho e da percepção sobre carreiras militares.
Embora o levantamento tenha abrangência nacional, o estudo também destacou as desigualdades regionais, apontando o Nordeste e o Norte como regiões mais afetadas por vulnerabilidades socioeconômicas.
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