Morreu nesta terça-feira (16), aos 82 anos, Josias Nunes de Oliveira, motorista que ficou conhecido nacionalmente por ter sido acusado de provocar o acidente que resultou na morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK), em 1976. O enterro foi realizado no Cemitério Parque dos Indaiás, no interior de São Paulo.
Durante décadas, Josias carregou o peso de uma acusação que marcou sua vida. Na época da ditadura militar, um inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontou que o ônibus da Viação Cometa, conduzido por ele, teria atingido a traseira do veículo em que estava JK. A versão sustentava que a colisão teria provocado a perda de controle do automóvel, culminando no acidente fatal.
No entanto, em 1977, Josias foi absolvido da acusação de homicídio em primeira instância. A decisão foi confirmada no ano seguinte pela segunda instância, encerrando oficialmente o caso na Justiça.
Mesmo após a absolvição, o motorista relatou ter sofrido com o estigma da acusação. Em depoimentos prestados à Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, afirmou que foi hostilizado publicamente e frequentemente chamado de “assassino de JK”, apesar de nunca ter sido condenado.
Recentemente, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou relatório que concluiu que a morte de JK e de seu motorista, Geraldo Ribeiro, ocorreu em decorrência da ação do Estado durante o período da ditadura. No mesmo documento, a comissão recomendou um pedido formal de desculpas a Josias Nunes pela acusação que recaiu sobre ele ao longo dos anos.
Entretanto, Josias faleceu antes que a reparação oficial fosse formalizada. Sua morte encerra a trajetória de um homem que passou grande parte da vida tentando desvincular seu nome de uma tragédia histórica que marcou o Brasil.
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