Em movimento que contradiz seu discurso de “soldado de Lula”, o presidente do PSB e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, formalizou aliança com a prefeita de Escada, município da Zona da Mata Sul de Pernambuco, Mary Gouveia, e seu marido Jandelson Gouveia, ambos filiados ao Partido Liberal (PL), legenda da família Bolsonaro. A publicação nas redes sociais, divulgada na quarta-feira (6), acendeu o alerta no campo progressista e escancarou uma crise que o próprio Campos tenta esconder: a queda constante nas pesquisas de intenção de voto.
A incoerência é gritante. Campos que para contar com o apoio do PT nas eleições, buscou vincular sua imagem pública sob o guarda-chuva lulista, agora se aproxima justamente do partido que mais representa o oposto desse projeto político. Mary Gouveia é, atualmente, a única prefeita do PL em Pernambuco, cargo que lhe confere peso simbólico dentro da estrutura bolsonarista no estado. A movimentação, longe de ser uma jogada estratégica bem calculada, revela o nível de desespero de um político que enxerga seus números derreterem e tenta costurar alianças a qualquer custo, ainda que ao preço de sua própria coerência ideológica.
O próprio presidente do diretório pernambucano do PL, ex-deputado Anderson Ferreira, já deixou claro: o partido não deve apoiar formalmente nenhum candidato alinhado a Lula, e isso vale tanto para Campos quanto, por tabela, poderia valer para Raquel, não fosse a governadora construir pontes com respeito institucional, sem subserviência.
O episódio é revelador: quem precisa se agarrar ao partido do principal opositor do presidente Lula para sobreviver politicamente não demonstra força, demonstra fragilidade. E o eleitor pernambucano, cada vez mais atento ao cenário, saberá distinguir quem governa com consistência de quem apenas improvisa para não afundar nas pesquisas.
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