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Em Pernambuco, relação entre PT e PSB carrega mágoas desde 2014 e segue sem recomposição política

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A relação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) em Pernambuco é marcada por rupturas sucessivas, desconfiança mútua e feridas políticas que nunca foram totalmente cicatrizadas. Embora hoje integrem, em nível nacional, um mesmo campo político em determinados momentos, no estado a convivência segue distante e fria — e a origem desse desgaste remonta a 2014.

Após a morte trágica do então governador e presidenciável Eduardo Campos, em agosto daquele ano, a família Campos e a direção do PSB tomaram uma decisão que causou profundo incômodo no PT: declarar apoio ao candidato tucano Aécio Neves (PSDB) no segundo turno da eleição presidencial, contra a então presidente Dilma Rousseff (PT). O gesto foi interpretado pelos petistas pernambucanos como uma quebra definitiva de aliança e um alinhamento direto com o campo adversário.

Dois anos depois, em 2016, a distância virou enfrentamento político explícito. Durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o então governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), liberou secretários estaduais que tinham mandato de deputado federal para votarem no processo. Todos votaram a favor do impeachment. Na Câmara dos Deputados, o deputado Danilo Cabral (PSB) fez discursos duros contra o governo petista, reforçando a percepção de que o PSB pernambucano havia escolhido um caminho próprio, distante do PT.

Para lideranças petistas no estado, aquele episódio consolidou a ideia de que o PSB não apenas rompeu politicamente, mas contribuiu ativamente para o enfraquecimento do projeto petista no país.

Nos anos seguintes, mesmo com aproximações pontuais em nível nacional, Pernambuco seguiu sendo um ponto fora da curva. O ressentimento permaneceu latente, e a relação nunca foi totalmente reconstruída. Essa tensão voltou a ganhar força recentemente no cenário municipal do Recife.

Atualmente prefeito da capital pernambucana e presidente nacional do PSB, João Campos resistiu às investidas do PT para ocupar a vaga de vice em sua chapa de reeleição. Mesmo com demonstrações públicas de interesse do presidente Lula em ampliar o espaço petista na capital, a composição não avançou. Internamente, petistas avaliam que a decisão reforça a leitura de que o PSB, em Pernambuco, mantém uma postura hegemônica e pouco aberta à partilha real de poder.

Para o PT, o episódio simboliza que a aliança com o PSB no estado é pragmática, mas não estratégica. Já para o PSB, a condução política em Pernambuco segue baseada na autonomia do projeto local, sem submissão a pressões nacionais.

O resultado é um cenário em que PT e PSB caminham lado a lado apenas quando interesses convergem, mas carregam um histórico de mágoas que continua influenciando decisões políticas até hoje. Em Pernambuco, mais do que aliados, os dois partidos seguem como parceiros circunstanciais marcados por um passado que ainda pesa  e muito  no presente.

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