O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (05) que considera um “equívoco” a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi dada em entrevista à TV Globo, poucos dias após a medida anunciada pelo Departamento de Estado americano entrar oficialmente em vigor.
A classificação das facções brasileiras como organizações terroristas foi anunciada pelo governo Donald Trump em 28 de maio e passou a valer nesta sexta-feira (05). O tema ganhou destaque político nas últimas semanas por ter sido uma das pautas defendidas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante sua recente viagem aos Estados Unidos. Segundo o parlamentar, o assunto foi tratado diretamente com Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio, que posteriormente anunciaram a medida. Flávio chegou a afirmar que foi prontamente atendido pelos americanos em relação ao combate às facções criminosas brasileiras.
Para Andrei Rodrigues, porém, existe uma diferença importante entre organizações terroristas e grupos de crime organizado. Segundo ele, grupos terroristas costumam agir por motivações ideológicas ou religiosas, enquanto facções como PCC e Comando Vermelho têm como principal objetivo o lucro obtido por meio de atividades criminosas.
O diretor da PF argumentou que essa distinção é relevante porque as estratégias de combate adotadas pelas autoridades são diferentes em cada caso. Apesar da crítica à classificação feita pelos Estados Unidos, Andrei defendeu a continuidade da cooperação entre Brasil e EUA para prender foragidos e combater o tráfico internacional de armas e drogas.
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