Embate interno na União Progressista pela vaga ao Senado desgastou a federação durante a pré-campanha; resultado das urnas obriga as duas principais lideranças do grupo a recalcularem suas estratégias
A disputa interna entre Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) pela composição da chapa majoritária da governadora Raquel Lyra (PSD) terminou deixando uma conta política pesada para os dois principais dirigentes da Federação União Progressista em Pernambuco.
Durante meses, Miguel e Eduardo travaram uma batalha pela candidatura ao Senado. O impasse chegou à direção nacional da federação e permaneceu aberto praticamente até as convenções. A preferência da direção estadual acabou prevalecendo: Eduardo da Fonte foi oficializado candidato ao Senado, enquanto Miguel retirou sua pré-candidatura e migrou para a disputa pela Câmara dos Deputados.
Nos bastidores, porém, a posição da governadora era um componente importante dessa disputa. Raquel deu sinais públicos de preferência por Miguel e, segundo o próprio ex-prefeito de Petrolina declarou à época, trabalhava para encontrar uma composição que preservasse as candidaturas existentes.
Eduardo, por sua vez, tinha a força da estrutura partidária. A executiva estadual da União Progressista aprovou seu nome e, depois da desistência de Miguel, a convenção confirmou oficialmente sua candidatura ao Senado.
A vitória interna que não se repetiu nas urnas
O resultado eleitoral, entretanto, mudou completamente a leitura daquela disputa. Eduardo conseguiu vencer a batalha interna pela candidatura, mas foi derrotado nas urnas. As duas vagas pernambucanas para o Senado ficaram com Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT).
Miguel também não conseguiu transformar a candidatura proporcional em vitória. Assim, uma federação que chegou ao período eleitoral com duas lideranças disputando intensamente uma vaga majoritária terminou a eleição com ambos derrotados.
O caso de Mendonça Filho (PL) acrescenta outro elemento à análise. Após deixar a disputa interna da federação, Miguel chegou a declarar apoio à candidatura avulsa de Mendonça ao Senado, antes de posteriormente a família Coelho anunciar apoio a Eduardo.
Não é possível afirmar que Miguel teria sido eleito caso tivesse recebido a vaga de Eduardo, nem que os votos de Mendonça migrariam automaticamente para ele. Eleições não permitem uma transferência mecânica de votos. Mas politicamente o episódio permite uma reflexão: uma candidatura de Miguel poderia ter produzido uma configuração diferente dentro do eleitorado de centro e direita e alterado a estratégia das forças que terminaram concorrendo separadamente ao Senado.
Na reta final, o Datafolha mostrava justamente a fragmentação desse campo: Mendonça aparecia com 12% das intenções de voto e Eduardo com 10%, enquanto Marília e Humberto tinham 19% cada.
Hora de recalcular a rota
O saldo político é significativo. Eduardo conquistou internamente a candidatura que buscava, mas não chegou ao Senado. Miguel perdeu a disputa pela vaga dentro da federação e também não conquistou mandato na Câmara.
Para PP e União Brasil, fica uma questão que deverá entrar inevitavelmente na avaliação pós-eleitoral: até que ponto a longa disputa interna enfraqueceu um grupo que, unido desde a pré-campanha, poderia ter chegado às urnas em condições políticas diferentes?
A resposta não pode ser dada apenas pelos números da eleição. Mas uma conclusão objetiva existe: a desunião consumiu meses de articulação, expôs divergências entre as duas principais lideranças da federação em Pernambuco e terminou sem vitória eleitoral para nenhum dos protagonistas.
Depois das urnas, Miguel Coelho e Eduardo da Fonte terão agora o mesmo desafio: recalcular a rota e reconstruir espaço político para os próximos embates em Pernambuco.
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