O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem chamado atenção por adotar um discurso diferente sobre o Bolsa Família, programa social que durante anos foi alvo de críticas de setores da direita e do próprio grupo político ao qual pertence.
Levantamento realizado pela AP Exata Inteligência, com base em publicações feitas pelo parlamentar nas redes sociais, aponta uma mudança significativa no posicionamento de Flávio sobre o benefício. Em anos anteriores, o senador chegou a se referir ao programa como “bolsa-farelo”, expressão usada de forma pejorativa para criticar políticas de transferência de renda.
Entretanto, durante evento promovido pela revista Veja, em São Paulo, Flávio Bolsonaro classificou o Bolsa Família como um “direito adquirido do povo brasileiro” e defendeu a continuidade do benefício para famílias que ingressarem no mercado formal de trabalho ou abrirem seus próprios negócios.
Segundo o senador, existe um preconceito em relação aos beneficiários do programa, muitas vezes vistos de forma equivocada como pessoas que não desejam trabalhar. Ele destacou que uma parcela significativa dos beneficiários atua na informalidade e teme perder o auxílio ao conquistar um emprego formal.
Flávio também afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende ampliar as garantias para que os beneficiários mantenham o auxílio por mais tempo após conseguirem trabalho com carteira assinada ou iniciarem atividades empreendedoras. A proposta, segundo ele, busca incentivar a formalização do trabalho sem que as famílias percam imediatamente a segurança financeira proporcionada pelo programa.
Procurado para comentar as comparações entre suas declarações atuais e posicionamentos anteriores, o senador negou ter mudado de opinião sobre o tema.
A discussão reacende o debate sobre o papel dos programas de transferência de renda no Brasil e evidencia como o Bolsa Família, ao longo dos anos, passou a ser defendido por lideranças de diferentes correntes políticas, consolidando-se como uma das principais políticas sociais do país.
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