O Brasil registrou um aumento de 20% nas novas infecções por HIV desde 2010, na contramão da tendência mundial, segundo o mais recente Relatório Global do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), divulgado durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro.
Enquanto o mundo reduziu em cerca de 43% o número de novas infecções no mesmo período, o Brasil aparece entre os 21 países onde os casos cresceram nos últimos 15 anos. O relatório destaca que o país, antes reconhecido internacionalmente pelos avanços no combate ao HIV, enfrenta um cenário que exige reforço das estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.
De acordo com o levantamento, em 2010 o mundo registrava aproximadamente 2,1 milhões de novas infecções por ano. Em 2025, esse número caiu para cerca de 1,2 milhão, o menor patamar em três décadas. A redução é atribuída à ampliação do acesso à terapia antirretroviral e à adoção de métodos modernos de prevenção.
Apesar do crescimento das novas infecções, o Brasil também acumula avanços importantes, como a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV (de mãe para filho) e a expansão da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). No entanto, o relatório aponta que determinados grupos populacionais, como homens gays, pessoas transgênero e trabalhadores do sexo, continuam apresentando maior vulnerabilidade à infecção.
Especialistas reforçam que a ampliação da testagem, o combate ao preconceito, o acesso contínuo aos medicamentos e o fortalecimento das campanhas de prevenção são fundamentais para reduzir o avanço da epidemia e alcançar as metas globais de enfrentamento ao HIV/Aids.
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