Essa é uma das questões que começam a aparecer nos bastidores da política pernambucana: depois de assumir oficialmente o comando da capital, o prefeito Victor, ainda precisa consolidar uma imagem pública própria e ocupar o espaço político correspondente ao cargo que passou a exercer. O reflexo do sumiço de Victor impacta diretamente no fortalecimento de Raquel Lyra no Recife.
Victor Marques não chegou à Prefeitura como um nome estranho à administração. Antes de assumir o cargo, foi vice-prefeito de João Campos, secretário de Infraestrutura e chefe de gabinete da Prefeitura entre 2021 e 2024. Mas, na política, principalmente numa capital como Recife, o prefeito parece estar escondido em seu gabinete.
O ponto central da discussão, portanto, não é a ausência de trajetória. É protagonismo.
A transição de João Campos para a disputa pelo Governo de Pernambuco colocou Victor Marques diante de uma circunstância politicamente singular: comandar uma das principais cidades do Estado enquanto o seu antecessor e principal aliado passa a construir um projeto estadual.
E aí surge uma pergunta inevitável: qual será o espaço reservado a Victor Marques dentro desse projeto?
Continuidade administrativa não precisa significar ausência de identidade política.
Uma capital do tamanho do Recife exige um prefeito com voz própria, agenda própria e capacidade de dialogar diretamente com a população. E, à medida que 2028 se aproxima, essa questão tende a ganhar ainda mais importância.
No Recife, Victor Marques terá justamente esse desafio: deixar de ser identificado apenas como continuidade de uma gestão anterior e consolidar a imagem de quem, agora, ocupa o principal cargo político da cidade.
E essa talvez seja uma das questões mais interessantes da política pernambucana até 2028: João Campos, a depender dos resultados, conseguirá construir um projeto no qual seus aliados também tenham protagonismo?
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