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Advogado preso por suspeita de estruturar propina é acionista do BRB

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O advogado Daniel Monteiro foi preso na última quinta-feira (16) por decisão do ministro André Mendonça, no âmbito de investigações que apuram um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Segundo as acusações, ele teria atuado na estruturação de repasses ilícitos ao então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa.

De acordo com informações do processo, Monteiro também figura como acionista relevante do Banco de Brasília (BRB). Em 26 de fevereiro, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) determinou o bloqueio de ações sob controle do advogado e de outros investigados. À época, ele detinha 282.278 ações ordinárias e mais de 3,1 milhões de ações preferenciais do banco, participação avaliada em cerca de R$ 13,5 milhões.

As investigações apontam que Monteiro teria atuado como “laranja” em operações envolvendo outros nomes do mercado financeiro, como Daniel Vorcaro, João Mansur e Maurício Quadrado. A suspeita é de que o grupo teria agido de forma coordenada para assumir, de maneira indireta, o controle acionário do banco.

Relatório produzido pela empresa Kroll indica que o esquema envolvia a utilização de empresas, fundos de investimento e pessoas físicas para fragmentar a participação societária. O objetivo seria viabilizar e manter a venda de carteiras de crédito consideradas problemáticas ou até inexistentes.

Os aportes privados no BRB, denominados ACP 1 e ACP 2, ocorreram entre 2024 e 2025. Na primeira etapa, empresários com participação prévia no banco adquiriram cotas que, posteriormente, foram repassadas a fundos como Verbier e Borneo.

Esses fundos, após se tornarem acionistas, participaram da segunda rodada de investimentos, adquirindo novas cotas dentro de um sistema descrito como “ecossistema” do banco Master. Monteiro, segundo as apurações, comprou ações por meio dos fundos Delta e Borneo, revendendo parte delas posteriormente a outros fundos.

Para viabilizar as operações, o advogado teria contraído dois empréstimos que somam R$ 84,2 milhões junto à Cartos Sociedade de Crédito Direto. A empresa é apontada como responsável pela criação da Tirreno, considerada peça-chave na origem das carteiras de crédito negociadas com o BRB.

O caso segue sob investigação e ainda não há decisão definitiva da Justiça sobre as acusações.

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