Os atendimentos a vítimas de acidentes de moto em Pernambuco custaram cerca de R$ 24,4 milhões aos cofres públicos entre 2023 e 2025, segundo dados do Ministério da Saúde obtidos pelo Diario de Pernambuco. O valor representa uma média anual de R$ 8,1 milhões em despesas do Sistema Único de Saúde (SUS) apenas no estado.
De acordo com o levantamento, os gastos chegaram a R$ 10,4 milhões em 2024 e a R$ 9 milhões em 2025. Para efeito de comparação, o montante total investido no período seria suficiente para construir mais de 20 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), evidenciando o impacto financeiro dos sinistros no sistema público.
Crescimento de casos preocupa autoridades
Além do custo elevado, o número de acidentes também chama atenção. Pernambuco registrou 34.002 vítimas de ocorrências envolvendo motocicletas em 2025 — uma média de 93 por dia. Já em 2026, até 14 de abril, foram contabilizados 7.970 casos, o que representa uma média diária de 77 ocorrências, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco.
O volume já corresponde a 23,4% de todos os registros do ano anterior, indicando que o problema segue em alta e exige medidas de prevenção mais eficazes.
Histórias que revelam a gravidade
Os números ganham dimensão humana em casos como o do servidor público Osvaldo Costa, de 60 anos. Morador da zona rural de Gravatá, ele está internado há mais de um mês após ser atingido por um carro que trafegava na contramão.
A vítima sofreu fraturas expostas no punho, fêmur, tíbia e fíbula do lado direito, além de uma fratura interna na perna esquerda. O tratamento tem sido longo e complexo, incluindo cirurgias semanais no Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, sem previsão de alta.
Perfil das lesões e impacto no sistema
Segundo a SES-PE, fraturas e politraumatismos estão entre as lesões mais comuns em acidentes com motociclistas. Esses casos frequentemente exigem cirurgias, internações prolongadas e reabilitação intensiva, o que eleva significativamente os custos hospitalares.
Além do impacto financeiro, os acidentes geram consequências sociais relevantes, como afastamento do trabalho, perda de renda e sobrecarga na rede pública de saúde.
Desafio de saúde pública
O cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, fiscalização e educação no trânsito. Especialistas apontam que o uso correto de equipamentos de proteção, respeito às leis de trânsito e melhorias na infraestrutura viária são medidas essenciais para reduzir tanto o número de acidentes quanto os custos associados.
Enquanto isso, os números seguem evidenciando que os acidentes com motocicletas não são apenas uma questão de mobilidade, mas um grave problema de saúde pública em Pernambuco.
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