Por Portal das Cidades PE | Com informações do Blog do Ricardo Antunes
A situação do candidato a deputado federal Fábio Tyrone (PSB-PB), condenado em processo de violência doméstica contra a ex-namorada Myriam Gadelha, voltou ao centro da disputa pelo Governo de Pernambuco. Durante o debate da TV Globo, João Campos (PSB), presidente nacional da legenda, afirmou que já havia determinado a expulsão de Tyrone. No entanto, documento partidário divulgado pelo Blog do Ricardo Antunes indica que, no dia 25 de setembro, o Conselho Nacional de Ética do PSB recebeu uma denúncia contra Tyrone e abriu prazo para apresentação de defesa — procedimento diferente de uma expulsão já efetivada.
Segundo o Jornal do Commercio, João declarou no debate: “há alguns dias eu já determinei a expulsão desta pessoa do PSB. O Conselho de Ética do PSB irá expulsá-lo do partido”. O próprio PSB informou anteriormente que João havia determinado, em 23 de setembro, que o processo fosse analisado pelo Conselho Nacional de Ética para que a expulsão fosse concluída “o quanto antes”.
A documentação divulgada agora acrescenta um elemento ao debate: conforme a publicação de Ricardo Antunes, o presidente do Conselho Nacional de Ética, Alexandre Navarro Garcia, recebeu a denúncia contra Tyrone no dia 25 e concedeu prazo para defesa. Assim, naquele momento, o procedimento disciplinar ainda estava em tramitação, segundo o documento apresentado pelo veículo.
Condenação e R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral
Fábio Tyrone foi condenado por violência doméstica em razão das agressões ocorridas em 2018. A condenação ocorreu em 2023 e, em 2026, o Superior Tribunal de Justiça reduziu a pena. Sua candidatura neste ano foi considerada apta.
Apesar da controvérsia interna sobre sua permanência no PSB, Tyrone recebeu R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral para concorrer a deputado federal. O Jornal da Paraíba informa que esse foi o maior repasse da Direção Nacional do PSB para um candidato do partido à Câmara dos Deputados na Paraíba.
Levantamento publicado pelo Blog do Ricardo Antunes, citando reportagem do Estadão, aponta ainda que o montante destinado a Tyrone ficou 408% acima da média dos valores destinados pela direção nacional aos outros dez candidatos do PSB a deputado federal na Paraíba.
O caso também vinha provocando manifestações dentro do próprio partido. Em 2023, a Executiva Nacional do PSB Mulher e o Conselho Político de Mulheres aprovaram pedido de expulsão de Tyrone após sua condenação. Já em abril de 2026, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) voltou a defender publicamente sua retirada da legenda.
PSB apresenta sua versão
O PSB sustenta que João Campos não presidia nacionalmente a legenda quando ocorreu a agressão nem quando houve a condenação inicial. Segundo nota partidária divulgada à imprensa, depois de receber informações de que o processo não teria sido analisado adequadamente pela instância competente, João determinou em 23 de setembro que o caso fosse encaminhado diretamente ao Conselho Nacional de Ética e defendeu que a expulsão fosse concluída rapidamente.
Sobre os recursos eleitorais, João Campos afirmou que a definição da distribuição teria sido tomada pelo diretório estadual do partido.
A nova documentação, portanto, coloca em discussão principalmente o estágio do processo disciplinar: enquanto João afirmou no debate ter “determinado a expulsão”, as informações disponíveis indicam que o Conselho de Ética ainda seguia um procedimento com recebimento de denúncia e direito de defesa. Isso não demonstra, por si só, que João tenha mentido, pois sua declaração pode se referir a uma determinação política para buscar a expulsão, enquanto a efetivação depende do rito interno da legenda.
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