O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) iniciou uma ofensiva política contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), explorando episódios que sugerem possíveis conexões entre agentes da segurança pública e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A estratégia sinaliza que a segurança pública deve se tornar um dos principais eixos do embate eleitoral no estado.
De acordo com apuração do portal Metrópoles, o tema foi escolhido por aliados de Haddad como forma de reposicionar o debate, tradicionalmente desfavorável ao PT, em uma área frequentemente explorada por adversários políticos.
Um dos episódios citados pelo petista envolve o ex-comandante da Polícia Militar paulista, José Augusto Coutinho, que deixou o cargo após ser mencionado em investigação da Corregedoria. O caso apura a atuação de policiais como seguranças de supostos integrantes do PCC ligados à empresa de ônibus Transwolff.
Em declaração divulgada nas redes sociais, Haddad criticou a condução do caso pelo governo estadual. “Falhar na escolha pode até acontecer. É por isso que você tem que vigiar de perto. Agora, tentar esconder da população o real motivo do afastamento do comandante não é aceitável”, afirmou.
Inicialmente, a troca no comando da PM havia sido bem recebida, especialmente pela nomeação da coronel Glauce Anselmo Cavalli, primeira mulher a assumir o posto. No entanto, a revelação dos bastidores do afastamento de Coutinho transformou o episódio em munição para a oposição.
Haddad também resgatou declarações anteriores de Tarcísio sobre denúncias de violência policial. Na ocasião, o governador afirmou não se importar com possíveis críticas internacionais, sugerindo que denúncias poderiam ser levadas à Organização das Nações Unidas (ONU). Para o petista, esse posicionamento evidencia fragilidade na condução da segurança pública.
Outro ponto que deve ser explorado é o assassinato de Vinícius Gritzbach, ocorrido em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O empresário era apontado como delator de esquemas envolvendo policiais e o PCC, e sua execução reforçou suspeitas de infiltração criminosa em estruturas do Estado.
Nos bastidores, aliados de Haddad avaliam que a associação entre segurança pública e possíveis irregularidades pode abrir espaço para críticas consistentes ao governo paulista, invertendo a lógica tradicional do debate político. Já o entorno de Tarcísio deve reagir, defendendo as ações do governo e destacando medidas adotadas no combate ao crime organizado.
Com a antecipação do confronto, a disputa pelo governo de São Paulo tende a ganhar novos contornos, colocando a segurança pública no centro da narrativa eleitoral.
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