A construção da nova maternidade de Garanhuns, orçada em mais de R$ 58 milhões, virou centro de um forte embate político após declarações do prefeito Sivaldo Albino (PSB). O gestor afirmou, em diversas ocasiões, que a obra seria custeada exclusivamente com recursos do Governo Federal, sem participação do Estado de Pernambuco.
No entanto, documentos oficiais da Companhia Estadual de Habitação e Obras (CEHAB) desmontam essa versão.
Segundo a própria CEHAB, o contrato total da obra — no valor de R$ 58.200.000,00 — é dividido em duas fontes claras de financiamento:
- R$ 43.909.015,04 oriundos de recursos federais, repassados via Caixa Econômica Federal;
- R$ 14.290.984,96 como contrapartida direta do Governo de Pernambuco.
Ou seja, há participação financeira significativa do Estado, contrariando diretamente o discurso do prefeito.
A informação foi reforçada pelo diretor-presidente da CEHAB, Paulo Lira, e também consta em documentos oficiais do projeto, que detalham o cronograma financeiro da obra.
Reação política
A declaração de Sivaldo gerou reação imediata de aliados da governadora Raquel Lyra (PSD). O deputado estadual Izaías Régis criticou duramente o posicionamento do prefeito e acusou tentativa de distorcer os fatos.
Segundo o parlamentar, a governadora não apenas garantiu o terreno, como também viabilizou os recursos federais junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de investir mais de R$ 14 milhões de recursos estaduais na obra.
“A verdade é uma só. Existe participação direta do Governo do Estado, tanto na viabilização quanto no investimento. Tentar negar isso é transformar narrativa política em desinformação”, afirmou.
Disputa de narrativa
O caso evidencia mais um capítulo da disputa política entre grupos ligados ao PSB e à atual gestão estadual. Enquanto o prefeito tenta atribuir integralmente a obra ao Governo Federal, documentos oficiais mostram uma parceria entre União e Estado.
Nos bastidores, a avaliação é de que a tentativa de excluir a participação do Governo de Pernambuco tem motivação política, especialmente diante do cenário eleitoral e da polarização entre aliados de João Campos e o grupo da governadora.
Com os números expostos, o episódio reforça o debate sobre transparência e uso político de obras públicas — e coloca em xeque a versão apresentada pelo prefeito de Garanhuns.
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