A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), a Operação Vassalos, que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo emendas parlamentares.
Entre os alvos estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (UB) e o deputado federal Fernando Filho (UB).
📍 Mandados em cinco estados
Ao todo, estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.
As ordens foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.
Segundo a PF, não há mandados de prisão nesta fase da operação. Em Pernambuco, oito equipes dão apoio às diligências em Petrolina e no Recife.
💰 O que está sendo investigado?
A investigação apura possível desvio de recursos provenientes de emendas do relator, mecanismo que ficou conhecido como “orçamento secreto”.
De acordo com a PF, o grupo investigado teria:
- Indicado emendas para determinados municípios;
- Facilitado convênios;
- Direcionado licitações a empresas ligadas ao esquema;
- Recebido parte dos valores em forma de propina.
A apuração envolve o período em que Miguel Coelho foi prefeito de Petrolina (2017–2022), incluindo recursos destinados ao município e a possível relação com a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf).
A Polícia Federal ainda não detalhou quais emendas específicas estão sob suspeita.
🗣️ O que dizem os citados?
A defesa dos políticos, representada pelo advogado André Callegari, informou por meio de nota que ainda não teve acesso à decisão do ministro do STF.
“Os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares. A defesa já solicitou acesso aos autos, para que, assim, possa se manifestar no processo.”
Já a Prefeitura de Petrolina declarou que está acompanhando o caso e deve se posicionar oficialmente após obter mais informações.
🔎 Antecedentes
Em 2019, a Polícia Federal já havia realizado buscas nos gabinetes de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho para apurar supostos desvios de recursos em obras no Nordeste, incluindo a transposição do Rio São Francisco — projeto que foi inicialmente orçado em R$ 4,5 bilhões e ultrapassou R$ 12 bilhões até a conclusão.
Na ocasião, a defesa do ex-senador afirmou que as medidas causavam “estranheza” e não tinham relação com os fatos investigados.
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