Uma reportagem publicada pelo portal Metrópoles trouxe à tona uma polêmica envolvendo a gestão do prefeito do Recife, João Campos (PSB), relacionada à nomeação de um procurador do município a partir de uma reclassificação em concurso público.
Segundo a publicação, o prefeito nomeou um candidato para uma vaga destinada a Pessoa com Deficiência (PCD), embora ele tenha participado originalmente do certame, realizado em dezembro de 2022, pela ampla concorrência. A solicitação de mudança de modalidade ocorreu três anos após a realização do concurso.
De acordo com o Metrópoles, o candidato Lucas Vieira Silva, que havia ficado na 63ª colocação geral, solicitou em maio deste ano a reclassificação após apresentar um laudo médico atestando Transtorno do Espectro Autista (TEA). O diagnóstico teria sido posteriormente confirmado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Lucas Vieira Silva é filho de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas, órgão vinculado ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), informação que também consta na reportagem e ampliou a repercussão do caso.
A justificativa foi aceita pelo Procurador-Geral do Município, Pedro Pontes, que publicou uma nova homologação em 19 de dezembro, reposicionando o candidato para o primeiro lugar entre os concorrentes PCD. Com base nessa reclassificação, a nomeação foi oficializada por meio de portaria assinada pelo prefeito João Campos, publicada no dia 20 de dezembro.
A situação gerou questionamentos sobre os critérios adotados, especialmente pelo fato de a mudança de modalidade ter ocorrido anos após o concurso, levantando debates sobre isonomia, legalidade e preservação da lisura do certame.
Em nota citada pelo Metrópoles, a Prefeitura do Recife afirmou que a decisão seguiu entendimento judicial e reforçou que “não houve privilégio, favorecimento ou irregularidade”, mas sim o cumprimento do dever legal de garantir tratamento isonômico às pessoas com deficiência, preservando o interesse público.
Ainda segundo a reportagem, o portal tentou contato com o nomeado para esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação, mantendo o espaço aberto para manifestação.
O caso segue repercutindo nos bastidores políticos e jurídicos de Pernambuco, gerando críticas, questionamentos e pedidos de maior transparência sobre os procedimentos adotados pela gestão municipal.
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