A política do Recife entrou em ebulição após o vereador Rubem Rodrigues, conhecido como “Agora é Rubem” (PSB), acionar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades na gestão do prefeito João Campos (PSB). O movimento, que faz parte do papel constitucional de fiscalização do Legislativo, provocou forte reação interna no partido e abriu discussão sobre punições que podem chegar à expulsão e à perda do mandato.
A resposta do PSB foi imediata. Aliados do prefeito passaram a tratar a iniciativa como “traição política”, dando início a um processo de isolamento e pressão interna contra o parlamentar, num episódio que já é visto por críticos como retaliação política explícita.
A CPI como estopim do conflito
No dia 23 de janeiro de 2026, Rubem acionou o protocolo de CPI que visa apurar supostas irregularidades no concurso público da Procuradoria do Município do Recife. O caso ganhou peso político por envolver possíveis falhas administrativas que, se comprovadas, podem gerar desdobramentos graves para a gestão municipal, inclusive no campo jurídico.
Mesmo sem ser o autor isolado do pedido, o simples gesto de acionar o mecanismo de investigação foi suficiente para provocar a reação do comando do PSB.
Rompimento político agrava a crise
Até então integrante da base do prefeito, Rubem agravou o desgaste ao declarar apoio à governadora Raquel Lyra (PSD), adversária direta do PSB em Pernambuco. Apesar de continuar filiado ao partido, o gesto foi interpretado como rompimento político, aumentando a pressão por medidas disciplinares.
O ex-vereador Inácio Neto (PSB) foi além e, em vídeo divulgado nas redes sociais, defendeu abertamente que o partido promova o afastamento e a cassação do mandato, sob a justificativa de que Rubem teria agido contra os interesses da legenda.
Mandato em risco e debate jurídico
Nos bastidores, dirigentes do PSB avaliam que uma eventual expulsão por “justa causa” poderia servir de base para a tentativa de retomada da vaga na Câmara Municipal, mesmo diante das garantias previstas na legislação eleitoral sobre fidelidade partidária.
O caso levanta um debate sensível: um vereador pode acionar instrumentos de fiscalização sem ser punido pelo próprio partido?
“Sou vítima de perseguição”, diz Rubem
Rubem Rodrigues afirma que está sendo perseguido por cumprir seu dever parlamentar. Segundo ele, a fiscalização da gestão não pode ser tratada como traição.
“Meu compromisso é com a população do Recife. Acionar uma CPI é um direito do mandato. Se isso virar motivo para cassação, estamos diante de um grave retrocesso democrático”, declarou.
Crise expõe fissuras no PSB do Recife
A situação é tratada como uma bomba política e expõe o grau de intolerância interna do PSB a investigações que atinjam o núcleo do poder municipal. Para aliados do vereador, o episódio reforça a tese de que quem questiona a gestão passa a ser tratado como inimigo.
Enquanto isso, cresce o questionamento: no Recife governado pelo PSB, fiscalizar virou ato proibido?
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