Por Redação – Coluna Política | Portal das Cidades PE
A construção de uma candidatura ao Governo de Pernambuco exige mais do que carisma, presença digital ou boa avaliação local. Exige confiança histórica. E é exatamente nesse ponto que o João Campos começa a enfrentar resistência crescente entre os pernambucanos quando seu nome é ventilado para 2026.
A rejeição não nasce do acaso. Ela é fruto de um acúmulo de fatos, desgastes e heranças políticas que recaem sobre o Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda que governa ou governou o Estado por longos anos e deixou marcas profundas muitas delas negativas na memória da população.
Um legado cercado de dúvidas
O ciclo se intensifica no fim do governo de Eduardo Campos, período marcado por suspeitas e investigações no contexto da Operação Lava Jato, o que deixou parte da sociedade em alerta. A comoção nacional provocada por sua morte acabou influenciando diretamente a eleição seguinte.
Paulo Câmara e a frustração administrativa
Eleito sob forte emoção popular, Paulo Câmara encerrou sua gestão com altos índices de rejeição, um Estado fragilizado fiscalmente, serviços públicos deteriorados e críticas severas nas áreas de saúde, segurança e infraestrutura. O desgaste foi tamanho que, em 2022, o PSB pagou a conta nas urnas.
A derrota simbólica de 2022
O candidato escolhido pelo grupo socialista, Danilo Cabral, terminou a disputa apenas em terceiro lugar, evidenciando que o eleitorado já não respondia mais ao discurso da continuidade. Foi um recado claro: o modelo estava esgotado.
Investigações e a sombra da pandemia
Antes disso, em 2020, o então prefeito do Recife Geraldo Júlio enfrentou investigações relacionadas à compra de respiradores durante a pandemia, episódio que ampliou a desconfiança sobre a condução administrativa do grupo político que antecede João Campos.
João Campos herda o desgaste
Mesmo jovem e com forte apelo midiático, João Campos carrega o peso de todo esse histórico. Para parte significativa da população pernambucana, o receio não é apenas sobre o nome do prefeito, mas sobre o retorno de um projeto político que deixou o Estado em situação crítica. A rejeição, portanto, é estrutural e não apenas pessoal.
Raquel Lyra ocupa o espaço
Enquanto o PSB tenta se reorganizar, a governadora Raquel Lyra avança. Com entregas concretas, investimentos robustos na saúde, retomada de obras paradas e uma postura administrativa focada em resultados, Raquel vem ocupando o vácuo deixado pelo adversário e capitalizando politicamente a fragilidade do grupo socialista.
Conclusão
A possível candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco enfrenta um obstáculo que não se resolve com marketing: a memória política do eleitor. Em um Estado cansado de promessas não cumpridas e gestões mal avaliadas, o passado pesa e, ao que tudo indica, continuará sendo um fator decisivo na rejeição crescente ao PSB e a tudo o que ele representa para boa parte da população pernambucana.
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