O clima de “já ganhou” que tomou conta do grupo político do prefeito João Campos (PSB) meses atrás parece ter ficado no passado. À época, aliados do socialista espalhavam pelos quatro cantos do Recife e da Região Metropolitana pesquisas eleitorais que apontavam uma vitória tranquila, quase protocolar, como se o resultado das urnas já estivesse sacramentado.
O excesso de confiança, no entanto, deu lugar a um cenário bem menos confortável. Com o crescimento consistente e viável da governadora Raquel Lyra, o discurso mudou. O entusiasmo virou frustração — e a estratégia política também.
Diante da perda de protagonismo nas pesquisas e do avanço da governadora, o PSB passou a apostar menos no debate político e mais no chamado “tapetão”. Nos bastidores, o partido tem recorrido sistematicamente a ataques, questionamentos jurídicos e movimentos que indicam uma tentativa clara de ganhar a disputa fora do campo eleitoral.
Nos últimos capítulos, o grupo de João Campos levou a disputa para o Supremo Tribunal Federal (STF), buscando barrar investigações e, em um movimento que chamou atenção, passou a questionar até a atuação de órgãos da Polícia Civil de Pernambuco. Para críticos, trata-se de uma estratégia conhecida: quando o jogo começa a virar nas ruas e nas pesquisas, tenta-se resolvê-lo nos tribunais.
A postura levanta questionamentos sobre o discurso que o PSB sempre tentou sustentar de defesa das instituições e do fortalecimento da democracia. Afinal, enquanto pregava confiança absoluta na vitória, exaltava números e pesquisas. Agora, diante de um cenário adverso, aposta em manobras jurídicas e recursos judiciais para conter o avanço da adversária.
O contraste é evidente: quem antes comemorava vitória antecipada, hoje parece mais preocupado em impedir investigações e neutralizar adversários por meio do Judiciário. Resta saber se a estratégia do “puxão de tapete” surtirá efeito ou se o eleitorado enxergará o movimento como um sinal claro de fragilidade política.
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