Nos bastidores da política pernambucana, a relação entre a família do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a ex-deputada federal Marília Arraes segue marcada por desconfiança, ruídos e cautela estratégica. Mesmo sem confronto direto recente, o histórico eleitoral e político faz com que o grupo do prefeito mantenha um olhar atento sobre qualquer movimento que possa reposicionar Marília em cargos de maior protagonismo.
A avaliação interna é de que Marília, apesar das derrotas eleitorais acumuladas, continua sendo um nome com forte recall político, especialmente na capital pernambucana. Para aliados do prefeito, sua eventual ocupação de um cargo estratégico ou de grande visibilidade poderia interferir diretamente no projeto político construído pela família Campos, que mira a consolidação de João Campos como principal liderança do PSB no estado.
A disputa de 2020 pela Prefeitura do Recife e a eleição estadual de 2022 ainda pesam nessa relação. Na leitura do grupo político do prefeito, Marília adotou ao longo dos últimos anos uma postura crítica e de enfrentamento, o que dificulta qualquer reaproximação. Além disso, há o entendimento de que seu discurso, frequentemente associado a ressentimentos eleitorais, não dialoga com a estratégia mais leve, propositiva e de alta aprovação popular que João Campos busca sustentar.
Outro ponto observado com atenção diz respeito ao impacto eleitoral. Integrantes do entorno do prefeito avaliam que uma eventual candidatura ou ascensão política de Marília poderia dividir forças dentro do campo progressista, criando ruídos desnecessários e, na visão deles, colocando em risco resultados eleitorais futuros — algo que o grupo político de João Campos trabalha para evitar a qualquer custo.
Por isso, nos bastidores, a família Campos segue com “um pé atrás” em relação a Marília Arraes. O receio não é apenas eleitoral, mas estratégico: permitir que Marília volte a ocupar um espaço de poder relevante poderia representar um obstáculo direto à continuidade e expansão do projeto político que hoje governa o Recife e pretende ampliar sua influência em Pernambuco.
A movimentação de Marília, portanto, é acompanhada com cautela. Na política, cargos não são apenas funções administrativas — são instrumentos de poder, visibilidade e articulação. E é justamente esse fator que mantém o alerta ligado no núcleo político do prefeito João Campos.
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