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Coluna | Quando o roteiro muda: os tropeços de João Campos e a virada do jogo em Pernambuco

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Por muito tempo, João Campos (PSB) foi tratado como o político do marketing impecável, da fala ensaiada no tempo certo, da estratégia milimetricamente calculada. Um prefeito que parecia jogar xadrez enquanto os adversários ainda aprendiam as regras do jogo. Mas política, como a vida, tem dessas coisas: o tabuleiro muda, as peças se mexem sozinhas e, às vezes, o xeque-mate vem de onde menos se espera.

Nos últimos dias, o prefeito do Recife tem acumulado erros graves e constantes, algo que não fazia parte do seu “manual de sucesso”. E quando até quem sempre acertou começa a errar, vale a pergunta: o que está acontecendo com João Campos?

O primeiro sinal de alerta veio em uma cena pouco comum para quem sempre demonstrou controle absoluto da narrativa: o nervosismo diante de jornalistas. Ao ser questionado sobre a perda de aliados políticos para a base da governadora Raquel Lyra, João respondeu de forma atravessada, visivelmente incomodado. Para um político que sempre soube transformar perguntas difíceis em respostas elegantes, aquele momento soou como freada brusca em descida íngreme.

Depois, veio a aposta nos influenciadores digitais. A ideia, no papel, parecia moderna, conectada e “com a cara da nova política”. Na prática, o tiro saiu pela culatra. Em vez de engajamento positivo, o que se viu foi mídia negativa, críticas nas redes sociais e a sensação de que o prefeito estava mais preocupado com likes do que com leitura correta do ambiente político. Nem todo trend vira sucesso e esse virou meme.

Mas o ponto alto (ou baixo, dependendo do ponto de vista) foi o evento que seria o pontapé inicial da alavancada rumo a 2026. A expectativa era de aplausos, clima de pré-campanha e imagem de liderança consolidada. O resultado? Críticas pesadas, redes sociais em ebulição e até questionamentos no próprio local do evento. O que era para ser vitrine virou espelho e o reflexo não agradou.

A moral da história é simples e, ao mesmo tempo, cruel: tudo aquilo que João acertou no passado, agora deu errado. O marketing já não encanta como antes, as estratégias não surtem o mesmo efeito e a leitura política parece fora de sintonia. O maestro, que sempre regeu a orquestra com precisão, agora enfrenta músicos tocando fora do compasso.

Enquanto isso, do outro lado do palco, Raquel Lyra vai ganhando protagonismo. Com postura mais firme, discurso afinado e avanço claro no xadrez político estadual, a governadora ocupa espaços que antes eram dominados por João. Para muitos observadores, o jogo virou e virou rápido.

Na política, nada é eterno. Nem o brilho, nem o favoritismo, nem o título de “melhor marketing da praça”. João Campos continua sendo um nome forte, mas vive um momento raro: o da decadência estratégica. Se é passageira ou sinal de um novo ciclo, só o tempo dirá. Por enquanto, fica a ironia do destino: em Pernambuco, quem parecia correr sozinho agora olha pelo retrovisor e vê a concorrência cada vez mais próxima.

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