Por Redação – Coluna Política | Portal das Cidades PE
A decisão do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de levar à convenção partidária a proposta de neutralidade na eleição presidencial vai muito além de um movimento interno. Trata-se de uma sinalização política clara, com reflexos diretos nos palanques estaduais — especialmente em Pernambuco.
Nos bastidores de Brasília, cresce a leitura de que o gesto atende, inclusive, a um pedido do próprio Luiz Inácio Lula da Silva, que busca evitar conflitos regionais com aliados estratégicos do PSD. Não por acaso, informações recentes indicam que Lula não pretende vir a Pernambuco no primeiro turno para participar de atos de campanha.
Esse afastamento não é visto como casual. Analistas políticos interpretam o movimento como parte de um acordo nacional, no qual a neutralidade do PSD exige, em contrapartida, que Lula reduza sua presença em palanques sensíveis — entre eles, o do prefeito do Recife, João Campos (PSB), apontado como possível candidato ao Governo do Estado.
Na prática, o silêncio do presidente da República fragiliza o projeto estadual do PSB. Sem Lula no palanque, João Campos perde o principal ativo eleitoral fora da Região Metropolitana, além de enfrentar dificuldades para ampliar alianças e reduzir resistências no interior.
O recado é claro: o xadrez nacional está sendo jogado antes do estadual. E, nesse tabuleiro, Pernambuco parece ter sido sacrificado em nome de uma estratégia maior. Para João Campos, o cenário acende um alerta importante: insistir em uma candidatura ao Governo sem o apoio explícito de Lula pode transformar um projeto ambicioso em um risco político desnecessário.
A neutralidade do PSD, somada ao distanciamento calculado do Planalto, indica que o jogo mudou — e talvez não haja mais espaço para ilusões eleitorais em 2026.
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