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Derrota de João Campos aprofunda encolhimento do PSB, que chega a 2027 sem governar nenhum estado

Partido que já comandou governos importantes pelo país perde espaço nas urnas, reduz força em Pernambuco e passa a depender ainda mais do desempenho nacional da chapa de Lula e Geraldo Alckmin para preservar protagonismo político.

O resultado das eleições de 2026 colocou o PSB diante de um dos momentos mais delicados de sua história recente. A legenda, que durante anos acumulou governos estaduais e construiu em Pernambuco um de seus principais centros de poder, chegará a 2027 sem comandar nenhum estado brasileiro.

Em Pernambuco, a principal aposta socialista era a eleição de João Campos para o Governo do Estado. Presidente nacional do PSB e principal liderança da nova geração do partido, João deixou a Prefeitura do Recife para enfrentar a governadora Raquel Lyra (PSD), mas terminou derrotado.

João encerrou a disputa com 44,82% dos votos, resultado expressivo, porém insuficiente para levar o PSB de volta ao Palácio do Campo das Princesas. Politicamente, a derrota ganha dimensão nacional porque Pernambuco era considerado o principal caminho para que a legenda recuperasse um governo estadual.

De três governadores para nenhum

O cenário é bastante diferente daquele registrado nas eleições de 2018. Naquele momento, o PSB conseguiu eleger três governadores.

Em Pernambuco, Paulo Câmara conquistou a reeleição e permaneceu no cargo até 2022. Na Paraíba, João Azevêdo foi eleito e posteriormente reeleito, enquanto Renato Casagrande também garantiu dois mandatos consecutivos no Espírito Santo.

Em 2026, entretanto, o partido não conseguiu assegurar sucessores socialistas nesses estados. Pernambuco representava a oportunidade de reconstruir essa presença por meio da candidatura de João Campos.

A derrota, portanto, possui um peso que ultrapassa as fronteiras pernambucanas.

PSB também perde força na Alepe

Mesmo com a votação alcançada por João Campos, o partido também saiu menor da disputa proporcional em Pernambuco.

O PSB elegeu nove deputados estaduais, cinco a menos do que possuía anteriormente. Para a Câmara dos Deputados, foram eleitos quatro representantes pernambucanos, mantendo a bancada federal do estado.

A redução na Assembleia Legislativa chama atenção especialmente porque o PSB dominou durante anos importantes espaços da política estadual.

A legenda também enfrenta uma diminuição de sua base municipal. Nas eleições de 2024, conquistou 31 prefeituras pernambucanas. Atualmente, esse número estaria reduzido para 19 administrações municipais, resultado das mudanças de partido e das novas articulações realizadas desde então.

Pernambuco deixa de ser o porto seguro socialista

Durante décadas, Pernambuco funcionou como uma espécie de centro político do PSB.

Nomes como Miguel Arraes e Eduardo Campos transformaram o estado em uma das principais vitrines nacionais da legenda. Posteriormente, Paulo Câmara manteve o grupo no comando estadual por mais oito anos.

A sequência foi interrompida em 2022, quando Raquel Lyra venceu a eleição para governadora.

Quatro anos depois, João Campos tentou recuperar o governo para o PSB. Sua derrota em 2026, porém, prolonga a ausência socialista do comando estadual por pelo menos mais quatro anos.

O resultado também fortalece o PSD de Raquel Lyra como força central da política pernambucana neste novo ciclo.

Destino nacional do PSB passa por Alckmin

No cenário nacional, o partido ainda possui uma peça de grande peso: o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Com Alckmin novamente compondo a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PSB acompanha com atenção o segundo turno presidencial. Uma vitória da chapa mantém a legenda instalada no centro do poder federal e pode compensar, em parte, as perdas verificadas nos estados.

Uma eventual derrota, por outro lado, abriria uma discussão ainda mais profunda sobre qual será o espaço nacional do PSB a partir de 2027.

O partido encerrou as eleições com três senadores e 15 deputados federais, mas sem conquistar nenhum governo estadual.

João Campos terá o desafio de reconstruir o partido

Para João Campos, o resultado também modifica o horizonte político.

Ele deixou uma prefeitura estratégica para disputar o Governo de Pernambuco e agora terá de conduzir, como presidente nacional, um partido territorialmente menor. Ao mesmo tempo, permanece como uma das principais lideranças socialistas do país e mantém capital eleitoral relevante após alcançar mais de 44% dos votos na disputa estadual.

No Recife, o PSB continuará apostando na administração do prefeito Victor Marques, que assumiu definitivamente o comando municipal após a saída de João para disputar o governo.

Uma eventual reeleição de Victor em 2028 seria fundamental para preservar o Recife como principal fortaleza eleitoral socialista e poderia servir de plataforma para uma nova tentativa de João Campos ao Governo de Pernambuco em 2030.

O fato político imediato, entretanto, é outro: a derrota em Pernambuco retirou do PSB sua principal oportunidade de chegar a 2027 comandando um estado.

Depois de décadas em que Pernambuco projetou lideranças socialistas para o cenário nacional, o partido inicia um novo período tendo de reconstruir sua força justamente no território que durante tanto tempo foi considerado sua maior fortaleza.

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