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Possível ministério para João Campos entra no xadrez político e ajuda a explicar cautela de Raquel Lyra com Lula no 2º turno

Aliados do presidente nacional do PSB já discutiam uma eventual ida para a Esplanada; governadora reeleita mantém relação institucional com Lula, mas evita declarar apoio presidencial

A derrota de João Campos (PSB) para a governadora Raquel Lyra (PSD) no primeiro turno não necessariamente significa seu afastamento do centro da política nacional. Antes mesmo da eleição, aliados do socialista já trabalhavam com a possibilidade de ele assumir um ministério em um eventual novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O cenário acrescenta uma variável importante ao xadrez político pernambucano. João deixou a Prefeitura do Recife para disputar o Governo do Estado, foi derrotado por Raquel, mas continua presidente nacional do PSB e, após o resultado das urnas, anunciou que concentrará esforços na campanha de Lula no segundo turno.

Para Raquel Lyra, a situação é politicamente delicada. A governadora foi reeleita no primeiro turno com 53,3% dos votos válidos, contra 44,8% de João Campos, encerrando nas urnas a tentativa do socialista de chegar ao Palácio do Campo das Princesas.

Uma eventual entrada de João Campos em um novo governo Lula poderia devolver ao socialista uma posição de grande projeção nacional e uma estrutura política relevante após a derrota em Pernambuco. Isso, porém, é uma possibilidade discutida por aliados, não uma nomeação confirmada.

É nesse contexto que a postura de Raquel no segundo turno presidencial ganha atenção. A governadora mantém uma relação institucional próxima com Lula e reconhece publicamente a parceria do Governo Federal com Pernambuco, mas até agora evita transformar essa relação administrativa em apoio eleitoral. Após a reeleição, ela agradeceu a colaboração do presidente, mas não declarou voto nele.

A cautela também ocorre depois de uma eleição estadual em que Lula esteve diretamente associado a João Campos. O presidente declarou apoio ao socialista durante a campanha, enquanto Raquel optou por não vincular sua candidatura a nenhum presidenciável.

Nos bastidores nacionais, integrantes do campo de Lula ainda tentam conquistar Raquel. Nesta terça-feira (6), o ministro Alexandre Silveira, também filiado ao PSD, afirmou que pretende conversar com a governadora para tentar convencê-la a apoiar o petista. Até o momento, entretanto, Raquel sinaliza manutenção da neutralidade.

Do ponto de vista político, portanto, existem interesses distintos em jogo: Lula busca ampliar sua base para o segundo turno; João Campos trabalha pela reeleição do presidente e tenta preservar protagonismo nacional; e Raquel inicia seu segundo mandato procurando administrar a relação institucional com Brasília sem necessariamente aderir ao mesmo projeto eleitoral do adversário que acabou de derrotar.

A hipótese de que Raquel evite Lula especificamente para impedir o fortalecimento de João Campos é uma interpretação política possível, mas não há, até agora, declaração pública da governadora confirmando essa motivação.

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