Recursos da previdência municipal foram remanejados para a Secretaria de Turismo e Lazer, responsável pelas propagandas, pouco depois de João Campos deixar o cargo
O Partido Social Democrático de Pernambuco (PSD-PE), acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), contra João Campos (PSB) e Victor Marques (PCdoB), ex-prefeito e atual prefeito do Recife, respectivamente. A representação questiona o uso da estrutura de publicidade da gestão municipal para a promoção em escala estadual de realizações associadas ao período em que João Campos estava no comando da gestão.
Outdoors da Prefeitura da Cidade do Recife estão espalhados pelo interior do estado, como Caruaru, Vitória de Santo Antão e Sairé, com a campanha intitulada “Recife, dá gosto de mostrar pro mundo”, acompanhada da expressão “Recife é pra ficar”. As peças se utilizam da identidade visual da Prefeitura e da Secretaria de Turismo e Lazer para divulgar mensagens sobre a nova Orla de Boa Viagem, pontes, parques e praças.
A Prefeitura apresenta a campanha como promoção turística, mas não divulga praias, gastronomia, cultura, eventos ou qualquer roteiro capaz de estimular uma viagem no Recife. Os vídeos e outdoors destacam pontes, creches, hospitais, contenção de encostas, praças e outras realizações administrativas. Segundo a representação, a narrativa turística teria sido utilizada apenas como uma moldura para justificar propaganda da gestão anterior.
Para o PSD, a prática pode configurar propaganda eleitoral antecipada e desvirtuamento da publicidade institucional. Victor Marques é indicado como responsável pela autorização, contratação e manutenção da campanha, enquanto João Campos aparece como beneficiário político da divulgação. Na interpretação da sigla, a escolha das cidades revela que a campanha deixou de informar os moradores do Recife e passou a alcançar diretamente o eleitorado de diferentes regiões de Pernambuco — justamente no momento em que João Campos tenta transformar sua antiga administração municipal em plataforma para disputar o Governo do Estado.
Reforço de recursos – O orçamento da Secretaria de Turismo e Lazer do Recife, responsável pela veiculação publicitária, foi reforçado no dia 6 de maio, pouco mais de um mês após João Campos deixar o cargo, no dia 2 de abril, o que coincide com o Decreto Municipal nº 39.724/2026, editado já durante a gestão de Victor Marques. O ato abriu crédito suplementar de R$ 2,236 milhões para a pasta. Desse total, R$ 2,2 milhões foram destinados à promoção do chamado “Destino Recife”, retirando recursos que estavam previstos no orçamento para pensionistas e inativos do sistema previdenciário do Recife.
Para o partido, a combinação entre conteúdo, alcance territorial, momento eleitoral e utilização de recursos públicos aponta para uma operação destinada a projetar João Campos em todo o Estado sem que os gastos sejam contabilizados como despesas de sua pré-campanha.
O PSD pede a suspensão imediata da campanha em todos os municípios situados fora do Recife, com a retirada dos outdoors e a interrupção das peças audiovisuais e radiofônicas até o encerramento das eleições de 2026. Também solicita que a Prefeitura informe o número exato de placas contratadas, suas localizações e os valores empregados, além de entregar contratos, planos de mídia e documentos orçamentários.
O partido requer, ainda, a aplicação de multas a Victor Marques e aos beneficiários da campanha, bem como o envio do processo ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público Estadual para apuração de eventual dano ao erário.
A ação ainda reserva a possibilidade de futura investigação por abuso de poder político e econômico, que poderá resultar em pedido de inelegibilidade após o registro das candidaturas.
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