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João Campos promete IPVA zero para motos, mas proposta semelhante foi rejeitada por Paulo Câmara, de quem foi aliado no PSB

Declarações de 2018 voltam à tona e reacendem debate sobre mudança de discurso dentro do partido

A promessa do ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), de zerar o IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas voltou a movimentar o debate político no estado. O anúncio, feito nas redes sociais nesta semana, foi rapidamente comparado a uma proposta semelhante apresentada nas eleições de 2018 e rejeitada pelo então governador Paulo Câmara (PSB).

Na época, o então candidato ao Governo de Pernambuco, Armando Monteiro Neto, defendeu a isenção do IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas. A proposta, no entanto, recebeu duras críticas de Paulo Câmara, que disputava a reeleição.

Segundo declarações publicadas pela imprensa naquele período, Paulo Câmara argumentou que a medida não contribuiria para melhorar a qualidade de vida da população e poderia trazer impactos para a saúde pública.

“Essa é uma discussão que não vai ajudar a melhorar a qualidade de vida da população pernambucana”, afirmou o então governador.

Paulo Câmara também sustentou que os acidentes envolvendo motociclistas representavam uma parcela significativa da ocupação dos leitos hospitalares, defendendo que incentivar o aumento da frota de motos poderia ampliar esse problema.

Na ocasião, ele afirmou que um acidentado de moto poderia permanecer internado por até 30 dias, gerando elevados custos para o sistema público de saúde. Para o então governador, a discussão deveria priorizar a redução dos acidentes, e não incentivos fiscais para a compra de motocicletas.

Outro ponto lembrado por opositores é que foi durante a gestão do PSB que Pernambuco passou a cobrar IPVA das motocicletas de 50 cilindradas, conhecidas como “cinquentinhas”, medida que também gerou forte repercussão e críticas na época.

Agora, oito anos depois, João Campos apresenta uma proposta que segue direção diferente da defendida pelo próprio PSB em 2018, reacendendo o debate sobre a mudança de posicionamento do partido em relação ao tema.

A comparação tem sido explorada por adversários políticos, que apontam uma divergência entre o discurso adotado pelo PSB no passado e a promessa apresentada por João Campos na atual pré-campanha. Já aliados do socialista afirmam que o cenário econômico e tributário mudou ao longo dos últimos anos, justificando a nova proposta.

Com a campanha eleitoral se aproximando, o tema tende a ganhar espaço no debate público, especialmente entre motociclistas, trabalhadores que utilizam motos como instrumento de trabalho e especialistas em mobilidade, saúde pública e tributação.

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