Durante participação em conversas paralelas à cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “nunca foi esquerdista” e declarou que o mundo não é de esquerda, mas sim do “meio”. A fala ocorreu durante um diálogo com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão Friedrich Merz.
No encontro, Lula argumentou que governos de direita, como os republicanos nos Estados Unidos e setores conservadores na Europa, permaneceram mais tempo no poder do que administrações identificadas com a esquerda. Ao comentar a expectativa existente no início de seu primeiro mandato, em 2003, de que conduziria um governo claramente alinhado à esquerda, o presidente rebateu afirmando que sua trajetória sempre esteve ligada ao movimento sindical e ao diálogo com diferentes correntes políticas.
Lula também relembrou episódios de sua atuação internacional durante a década de 1980, citando que chegou a ser tratado como “anticomunista” após recusar um convite para participar de um congresso na então União Soviética. Segundo ele, sua atuação sempre esteve baseada na construção de pontes e no diálogo político.
As declarações chamaram atenção por contrastarem com discursos recentes do presidente. Em abril deste ano, durante um evento progressista em Barcelona, Lula afirmou que ninguém deveria ter “vergonha de ser de esquerda”. Além disso, em diversas ocasiões no Brasil e no exterior, o chefe do Executivo defendeu a união do campo progressista e manteve proximidade com lideranças e governos identificados com a esquerda na América Latina.
A fala repercutiu nas redes sociais e no meio político, gerando debates sobre o posicionamento ideológico do presidente e sobre os impactos de suas declarações no cenário político nacional e internacional.
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