Enquanto milhares de pernambucanos ainda tentam distinguir o que é informação pública e o que é militância travestida de jornalismo, eis que surge um personagem curioso nessa engrenagem: o superintendente de comunicação da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Arthur Cunha, utilizando suas redes sociais, e aparentemente grupos privados, para pedir “ajuda na publicação” de conteúdos direcionados contra o Governo do Estado.
Não é um blogueiro qualquer. Não é um ativista de diretório acadêmico. Não é um influencer de apartamento tentando engajamento. Trata-se de alguém que ocupa um cargo estratégico dentro da estrutura institucional da ALEPE. E isso muda tudo.
Porque comunicação pública não deveria funcionar como extensão de campanha eleitoral antecipada.
A imagem é didática. Não há necessidade de interpretação sofisticada. O pedido está lá, objetivo, quase burocrático: uma solicitação de impulsionamento político disfarçada de preocupação jornalística. A pergunta inevitável é: Arthur Cunha agiu sozinho? Ou apenas executou uma orientação informal de cima para baixo?
E quando se fala em “cima”, Pernambuco inteiro sabe exatamente onde os fios políticos se cruzam.
O presidente da ALEPE, deputado Álvaro Porto, não esconde de ninguém seu alinhamento político com o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos. Aliás, esconder nunca foi exatamente o forte dessa turma. O curioso é observar até onde a máquina institucional pode ser utilizada para alimentar narrativas de oposição enquanto se vende ao público a fantasia da “independência”.
O problema não é criticar governo. Crítica é parte da democracia. O problema começa quando estruturas públicas parecem operar como hubs de distribuição de conteúdo político direcionado.
Aí já não se trata de comunicação institucional. Trata-se de método.
E Pernambuco conhece bem certos métodos.
Muitos ainda lembram do famoso grupo “JC40”, aquele condomínio digital onde figuras ligadas ao entorno político do PSB discutiam estratégias, ataques e operações de desgaste contra adversários e jornalistas. Um ambiente onde, segundo prints amplamente divulgados, chegou-se ao absurdo de defender quebra de sigilo bancário do jornalista Igor Maciel simplesmente porque suas opiniões desagradavam setores do poder recifense.
A lógica parece sempre a mesma: quem critica o grupo é tratado como inimigo; quem serve à narrativa vira aliado operacional.
Agora surge outra peça nesse tabuleiro: um superintendente institucional pedindo circulação de material político contra o governo estadual. Coincidência? Excesso de entusiasmo? Ou mais um capítulo da sofisticada milícia digital que há anos atua nos bastidores da política pernambucana?
Talvez Arthur Cunha possa explicar.
Talvez a ALEPE também devesse.
Porque quando a fronteira entre instituição pública e articulação política começa a desaparecer, o problema deixa de ser partidário. Passa a ser moral.
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