O ex-presidente Michel Temer afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, não deveria ter reagido publicamente aos vídeos divulgados pelo ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema. As declarações foram feitas nesta segunda-feira (27), durante o 8º Fórum Paulista de Desenvolvimento, realizado em Itu (SP).
Segundo Temer, a resposta de Gilmar acabou ampliando o debate e oferecendo mais espaço para críticas. “Quanto mais ele responde, mais argumentos ele dá para a contestação”, avaliou o ex-presidente.
A polêmica teve início após a circulação de vídeos com uso de inteligência artificial que ironizavam ministros do STF. Ao comentar o caso em entrevista anterior, Gilmar Mendes afirmou que há limites para esse tipo de sátira e fez uma declaração considerada controversa ao mencionar a forma como Zema foi retratado.
Diante da repercussão negativa, o ministro reconheceu o erro e pediu desculpas publicamente. Ainda assim, Zema reagiu, classificando as falas como “ofensivas e xenofóbicas”.
Defesa do diálogo e crítica à polarização
Ao retomar o tema, Temer destacou a necessidade de reconstrução do diálogo institucional entre os Poderes no Brasil. Para ele, essa prática tem se enfraquecido nos últimos anos.
O ex-presidente também fez uma distinção entre polarização e radicalização. Em sua avaliação, a polarização de ideias e projetos é parte essencial da democracia, mas o país tem vivido um cenário de extremos.
“Polarizar ideias, sistemas e programas é fundamental para a democracia. O problema é quando isso se transforma em radicalização de posições”, afirmou.
STF e críticas de ativismo
Questionado sobre a crise de imagem enfrentada pelo Supremo, Temer — que é advogado constitucionalista — minimizou as acusações de ativismo judicial. Ele argumentou que o papel da Corte é julgar todas as matérias que chegam ao tribunal.
Para o ex-presidente, o grande volume de temas analisados pelo STF decorre do modelo constitucional brasileiro, especialmente após a Constituição de 1988, que ampliou o alcance das decisões da Corte.
“A função do Supremo é guardar a Constituição. Se há muitas questões sendo julgadas, isso se deve ao próprio sistema constitucional”, concluiu.
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