Fenômeno considerado inédito preocupa entidades e pode impactar capacidade investigativa no estado
Um movimento considerado inédito tem acendido um alerta na segurança pública de Pernambuco. Delegados da Polícia Civil e até alunos em formação estão deixando o estado para assumir cargos em outras regiões do país, segundo informações da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (ADEPPE).
A entidade classifica o cenário como uma verdadeira “debandada” de profissionais qualificados. De acordo com a associação, candidatos em formação já abandonaram o curso de delegados para ingressar nas Polícias Civis de estados como Paraíba, Amazonas e São Paulo. Há ainda a previsão de novas saídas nos próximos meses, incluindo profissionais que devem migrar para o Ceará.
Além disso, também foram registrados casos de delegados que deixaram a carreira para assumir cargos no Ministério Público em estados como Ceará e Rio Grande do Norte.
Para o presidente da ADEPPE, delegado Diogo Victor, a situação reflete uma política de desvalorização da carreira em Pernambuco, especialmente quando comparada a outras funções do sistema de Justiça.
“Estamos vivendo uma situação inédita. Pernambuco, que antes atraía profissionais, hoje perde seus quadros. Isso não acontece por acaso. Enquanto outras carreiras jurídicas vêm sendo valorizadas, com reajustes e reconhecimento institucional, os delegados enfrentam uma realidade de desvalorização salarial e estrutural”, afirmou.
Segundo ele, há uma disparidade significativa na remuneração. “Hoje, um defensor público pode receber cerca de 3,5 vezes mais que um delegado substituto. Essa distorção sinaliza que é mais vantajoso seguir outras carreiras do que permanecer na Polícia Civil”, destacou.
A ADEPPE alerta que o impacto da saída de profissionais vai além da carreira e pode atingir diretamente a população, com risco de enfraquecimento da capacidade investigativa e prejuízos no funcionamento da Polícia Civil no estado.
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