Mesmo cumprindo todos os requisitos regimentais e contando com o apoio de 13 vereadores, o pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) apresentado pelo vereador Thiago Medina foi arquivado na Câmara Municipal do Recife, gerando forte reação do bloco de oposição.
A decisão foi tomada pelo presidente da Casa, vereador Romerinho Jatobá, que determinou o arquivamento do pedido. Para os vereadores da oposição, a medida representa uma tentativa de blindar o prefeito João Campos de uma investigação sobre possíveis irregularidades.
Em nota pública, o bloco de oposição afirmou que a decisão causa profunda indignação e representa um grave ataque às prerrogativas do Poder Legislativo e ao direito constitucional de fiscalização. Segundo os parlamentares, o pedido de CPI atendia todos os critérios previstos no regimento interno da Câmara.
A oposição também destacou que não caberia ao presidente da Casa realizar julgamento de mérito sobre a CPI, mas apenas verificar se os requisitos formais foram cumpridos. Para os vereadores, ao ultrapassar esse limite, a presidência interfere em um instrumento legítimo de fiscalização parlamentar.
Outro ponto que gerou preocupação foi o que ocorreu durante reunião da Comissão de Legislação e Justiça. Na ocasião, o vereador Gilson Machado Filho teve negado o pedido de vista sobre o recurso contra o arquivamento da CPI, o que, segundo a oposição, configura desrespeito às garantias regimentais e ao direito dos parlamentares de analisarem as matérias com mais profundidade.
Nos bastidores da política recifense, a decisão reforça a percepção de que a base governista estaria atuando para evitar que o prefeito João Campos seja alvo de investigação na Câmara, aumentando ainda mais a tensão entre situação e oposição.
O episódio reacende o debate sobre transparência e fiscalização no Legislativo municipal e deixa no ar uma pergunta que ecoa entre analistas políticos e parte da população: por que tanto esforço para impedir a instalação da CPI?
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