Um clima de forte apreensão tomou conta do núcleo político ligado ao prefeito do Recife, João Campos, nesta sexta-feira (31). Aliados próximos avaliam como altíssimo o risco de uma operação de busca e apreensão atingir diretamente o chefe do Executivo municipal, após decisão recente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
A tensão se intensificou depois que o Tribunal de Justiça de Pernambuco determinou o desarquivamento do inquérito da Operação Barriga de Aluguel, validando todas as provas já colhidas pelo GAECO. A decisão foi tomada de forma unânime pela 2ª Câmara Criminal da Corte.
Cronologia considerada suspeita acende alerta
Juristas ouvidos por veículos especializados apontam que a anulação do arquivamento anterior representa, na prática, o reconhecimento de que a decisão que havia encerrado o caso foi anômala. O foco agora recai sobre uma sequência de fatos considerada, no mínimo, suspeita.
Segundo especialistas, o então juiz Rildo Vieira arquivou o processo contra o prefeito em apenas três horas. Logo em seguida, seu filho, Lucas Vieira, foi nomeado para o cargo de procurador do município, em edição extra do Diário Oficial, publicada durante o recesso de Natal.
Para o meio jurídico, essa sucessão de eventos cria o chamado “nexo indiciário”, conceito que pode transformar o que antes era tratado como falha administrativa em uma possível contrapartida ilegal, uma verdadeira “moeda de troca” para obstrução da Justiça.
Medidas cautelares no radar
Embora a possibilidade de prisão preventiva seja considerada baixa neste momento, juristas alertam que o Ministério Público já dispõe de elementos suficientes para avançar nas investigações. A expectativa entre aliados do prefeito é de que medidas cautelares, como busca e apreensão, possam ser autorizadas a qualquer momento.
A decisão do TJPE reacende um dos episódios mais delicados da atual gestão municipal e coloca o governo João Campos novamente sob forte pressão política e jurídica.
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