Em Pernambuco, investigar o PSB ainda parece, para alguns, um ato de ousadia extrema. Afinal, o partido passou 16 anos consecutivos no comando do Governo do Estado e já soma mais de 22 anos à frente da Prefeitura do Recife. Um tempo suficiente para criar a sensação de que certas estruturas se tornaram… intocáveis.
Ao longo desse período, o PSB governou com amplo domínio político e institucional, acostumado a ditar o ritmo do poder e a conduzir a administração sem grandes sobressaltos investigativos envolvendo seu núcleo central. Nesse cenário, a simples menção a apurações, auditorias ou investigações costuma gerar reações que chamam atenção — como se o partido não estivesse habituado a esse tipo de escrutínio.
A ironia é que, em uma democracia, investigar não deveria ser sinônimo de perseguição, mas sim parte natural do funcionamento do Estado. Ainda assim, quando o alvo se aproxima de quadros ligados ao PSB, o discurso rapidamente muda de tom: surgem narrativas de ataque político, tentativa de deslegitimação e até indignação pública.
Especialistas em política avaliam que isso é reflexo direto de um longo ciclo no poder, que acaba criando uma cultura de normalidade em torno da ausência de questionamentos mais duros. Quando se governa por décadas, a fiscalização intensa soa quase como uma novidade — ou, para alguns, um desrespeito.
O fato é que nenhum partido é “investigável só quando convém”. Em um ambiente democrático saudável, todos estão sujeitos às mesmas regras, independentemente do tempo que passaram no comando ou da força que acumularam ao longo dos anos.
Talvez o momento atual represente apenas isso: o PSB sendo apresentado a uma realidade comum a qualquer grupo político — aquela em que ninguém é intocável, nem acima das investigações.
Porque, no fim das contas, democracia não combina muito com a ideia de partido blindado.
Deixe um comentário