O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) revelou à Justiça novos detalhes sobre a investigação que apura desvios milionários de emendas parlamentares no município de Ipojuca, no Grande Recife. Segundo o órgão, vereadores teriam tentado cooptar um comissário da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel) com o objetivo de monitorar e interferir nas investigações em curso.
De acordo com o MPPE, o presidente da Câmara Municipal, Flávio Henrique do Rêgo Souza, conhecido como Flávio do Cartório (PSD), e o vice-presidente da Casa foram autuados sob suspeita de lavagem de dinheiro após serem flagrados durante uma abordagem policial portando uma sacola com mais de R$ 14 mil em espécie. No veículo, os policiais também encontraram anotações de valores que indicariam um possível esquema de “rachadinha”.
Na audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória aos dois vereadores. No entanto, Flávio do Cartório permaneceu preso por haver contra ele um mandado de prisão preventiva já expedido anteriormente.
Em novo parecer encaminhado ao Judiciário, promotores do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) destacaram que, no carro onde estavam os vereadores e o policial da Dintel, ocorria uma “reunião clandestina”, reforçando as suspeitas de tentativa de obstrução das investigações.
O documento, obtido pela coluna Segurança, manifesta posição contrária do MPPE ao pedido de revogação da prisão preventiva de Flávio do Cartório. O vereador foi preso em 25 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração da segunda fase da Operação Alvitre, que investiga os desvios de recursos públicos.
No momento da prisão, segundo o MPPE, Flávio do Cartório estava acompanhado do vice-presidente da Câmara, Professor Eduardo (PSD), e do vereador Júlio Marinho (PP), em um carro estacionado no supermercado Mix Mateus, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. No mesmo veículo também estava o policial da Dintel.
As investigações seguem em andamento, e o MPPE reforça que os fatos apontam para uma tentativa organizada de interferir no trabalho das autoridades, envolvendo agentes públicos e recursos de origem suspeita.
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