Os dois maiores partidos do chamado Centrão, PP e União Brasil, já admitem internamente a possibilidade de não apoiar oficialmente nenhum candidato na próxima eleição presidencial. O movimento pode resultar na liberação das bases partidárias para apoios individuais durante a disputa.
De acordo com dirigentes das duas legendas, a avaliação atual é de que não há consenso interno para um apoio formal. Com isso, filiados e lideranças locais poderiam optar livremente entre o presidente Lula ou o senador Flávio Bolsonaro, caso este confirme candidatura ao Planalto.
No caso de Flávio Bolsonaro, integrantes do PP e do União Brasil avaliam que um eventual apoio só ocorreria se ele se apresentasse como um nome de centro-direita, e não como representante da extrema direita. Caso contrário, a leitura interna é de que sua candidatura teria apenas o objetivo de marcar posição política e defender o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dirigentes dos dois partidos também descartam, neste momento, apoiar um terceiro nome e admitem a possibilidade de permanecer neutros durante o primeiro turno.
Analistas políticos avaliam que esse cenário tende a beneficiar Lula, já que PP e União Brasil concentram uma das maiores estruturas partidárias do país, com forte tempo de televisão, acesso a cerca de R$ 1 bilhão em fundos eleitoral e partidário, além de uma ampla rede de prefeitos, governadores, deputados e vereadores. Essa mesma estrutura poderia ser decisiva para alavancar uma candidatura da direita, caso houvesse unidade.
O possível afastamento do Centrão da disputa presidencial ganhou força após Jair Bolsonaro descartar apoio a uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, frustrando parte das articulações que buscavam um nome mais competitivo fora do campo lulista.
Nos bastidores, a avaliação é de que a fragmentação da direita e a neutralidade do Centrão podem redesenhar completamente o cenário eleitoral nos próximos meses.
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